Colonialismo e anticolonialismo em contos angolanos de João Melo

  • André Luis Mitidieri Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)
  • Rejane Seitenfuss Gehlen Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Resumo

A presente análise busca relacionar as obras literárias Imitação de Sartre & Simone de Beauvoir e Filhos da pátria, de autoria do escritor angolano João Melo, com o colonialismo e o anticolonialismo, que são diretamente implicados ao pós-colonialismo. A literatura pós‑colonial reflete sobre a condição periférica e sua relação contextual. Como aspecto colonialista a ser considerado, na primeira das coletâneas de contos referidas, tem-se a dominação masculina e, na segunda, a organização da elite angolana pós‑independência. Como aspecto anticolonialista, tem-se, no primeiro livro, o pensamento de Simone de Beauvoir acerca da condição feminina, através da busca pela emancipação das personagens femininas e, no segundo, as questões da identidade nacional e individual.. O engajamento sartriano, redimensionado sob a perspectiva pós-colonialista, apresenta-se como estratégia antineocolonialista, fazendo frente ao neocolonialismo, representado pela antiutopia contemporânea e pelo formalismo pós-moderno, subvertido pela metalinguagem, pela paródia e pela reversão de suas expectativas de leitura, na contística de Melo.

Referências

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Publicado
2017-07-23
Como Citar
MITIDIERI, André Luis; GEHLEN, Rejane Seitenfuss. Colonialismo e anticolonialismo em contos angolanos de João Melo. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S.l.], n. 25, p. 149-170, jul. 2017. ISSN 2183-816X. Disponível em: <http://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/374>. Acesso em: 19 ago. 2017. doi: https://doi.org/10.24261/2183-816x2508.
Seção
Artigos