O ano da vida e da morte do estoico Ricardo Reis

  • Pedro Nunes Castro Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
  • Rosane Maria Cardoso Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
Palavras-chave: José Saramago, Ricardo Reis, estoicismo, intertextualidade, dialogismo

Resumo

Este artigo segue a esteira de outros estudos que evidenciaram a interação profícua da obra de José Saramago com a filosofia. Fixando-nos em O ano da morte de Ricardo Reis (1984) pretendemos demonstrar que, neste romance, o estoicismo é um componente intertextual determinante. Aprofundamos o já bastante explorado diálogo com Ricardo Reis, trazendo a lume os seus traços estoicos, porquanto preconizamos que o estoicismo do heterônimo de Fernando Pessoa é herdado pelo protagonista do título referido. E para relevar os fios da filosofia estoica neste tecido narrativo, referenciamo-nos em Kristeva (1974) e Mikhail Bakhtin (1981), que asseveram a onipresença da intertextualidade e do dialogismo na linguagem literária. Entendemos que há uma relação dialógica entre o romance de Saramago e a corrente filosófica e que destacá-la renderá novas possibilidades hermenêuticas.

Biografia do Autor

Rosane Maria Cardoso, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

Doutora em Teoria da Literatura pela Universidade Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Pós-doutorado na Universidad de Granada, Espanha. Professora de Letras no Centro Universitário UNIVATES e na Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Membro do corpo docente do Programa de Pós-graduação em Letras/UNISC. Atua nas áreas de: literaturas espanhola e hispano-americana.

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Publicado
2018-09-10
Como Citar
CASTRO, P.; CARDOSO, R. O ano da vida e da morte do estoico Ricardo Reis. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 27, p. 158-175, 10 set. 2018.