Em nome do pai: ventriloquismo e subalternidade em Até que as pedras se tornem mais leves que a água, de António Lobo Antunes

  • Paulo Ricardo Kralik Angelini Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: literatura portuguesa, António Lobo Antunes, narrador, patrimônio

Resumo

A guerra é um tema recorrente na obra de António Lobo Antunes, especialmente em boa parte de seus primeiros romances. Com Até que as pedras se tornem mais leves que a água, seu mais recente trabalho, o autor revisita a África ao trazer dois sobreviventes (ou serão duas vítimas?) de uma guerra. O enevoado da narrativa recupera, predominantemente a partir de dois pontos de vista, mais do que o combate em Angola, os conflitos de um soldado e um menino arrancado de África. Pai e filho compõem uma simbiose dissonante, porque carregada de vínculos opostamente construídos. A estrutura narrativa obedece a um jogo de poder, e entre vozes, incorporações de vozes outras e amordaçamentos, sintetiza um mundo diegético no qual esse filho que sempre falou como o pai pretende, por fim, negar seu patrimônio e silenciá-lo. Para a articulação teórica, utilizo autores como Gérard Genette, Brian Richardson, Gayatri Spivak, Roberto Vecchi, Margarida Calafate Ribeiro, entre outros.

Biografia do Autor

Paulo Ricardo Kralik Angelini, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Doutor em Literaturas em Língua Portuguesa (UFRGS), com estágio de doutoramento sanduíche na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é coordenador do Núcleo de Pesquisa Interdisciplinar de Literaturas em Língua Portuguesa na PUCRS e coordenador do Departamento de Estudos Literários da Faculdade de Letras/PUCRS.

Referências

Antunes, António Lobo. Até que as pedras se tornem mais leves que a água. Lisboa: D. Quixote, 2017.

Antunes, António Lobo. Até que as pedras se tornem mais leves que a água (crónica). Visão, Lisboa, 18 ago. 2016. On-line. Disponível em https://goo.gl/9cGqYf. Acesso em: 14 mar. 2018.

Antunes, António Lobo. Os cus de Judas. 21. ed. Lisboa: D. Quixote, 2001.

Araujo, Renata. Influência, origem, matriz. In: Rossa, Walter; Ribeiro, Margarida Calafate (Org). Patrimônios de influência portuguesa: modos de olhar. Niterói: EdUFF, 2015.

Genette, Gérard. Figuras III. São Paulo: Liberdade, 2017.

Halbwachs, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2003.

Kiefer, Charles. Dia de matar porco. Porto Alegre: Dublinense, 2014.

Lourenço, Eduardo. Entrevista concedida a Margarida Calafate Ribeiro, Walter Rossa e Roberto Vecchi. Março de 2015. In: Rossa, Walter; Ribeiro, Margarida Calafate (Org). Patrimônios de influência portuguesa: modos de olhar. Niterói: EdUFF, 2015. p. 149-170.

Richardson, Brian. Unnatural voices: extreme narration in modern and contemporary fiction. Columbus: Ohio State University Press, 2006.

Ricoeur, Paul. Mundo do texto e mundo do leitor. In: Ricoeur, Paul. Tempo e Narrativa. Campinas: Papirus, 1997. v. III.

Rossa, Walter; Ribeiro, Margarida Calafate (Org). Patrimônios de influência portuguesa: modos de olhar. Niterói: EdUFF, 2015.

Santos, Boaventura de Sousa. A cor do tempo quando foge. São Paulo: Cortez, 2014.

Spivak, Gayatri C. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: UFMG, 2010.

Vecchi, Roberto. Identidade, herança, pertença. In: Rossa, Walter; Ribeiro, Margarida Calafate (Org). Patrimônios de influência portuguesa: modos de olhar. Niterói: EdUFF, 2015.

Vecchi, Roberto. Subalternidades no(s) Atlântico(s) Sul. In: Ribeiro, António; Ribeiro, Margarida Calafate. Geometrias da memória: configurações pós-coloniais. Porto: Afrontamento, 2016.

Publicado
2019-05-08
Como Citar
ANGELINI, P. R. K. Em nome do pai: ventriloquismo e subalternidade em Até que as pedras se tornem mais leves que a água, de António Lobo Antunes. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 29, p. 95-112, 8 maio 2019.
Seção
Artigos