O sexo dos tubarões, de Naná DeLuca, ou uma escrita que faz delirar

Palavras-chave: literatura menor, literatura saúde, devir-outro, trânsito identitário, Naná DeLuca

Resumo

Analisaremos o romance O sexo dos tubarões, de Naná DeLuca (2017), a partir dos conceitos de literatura menor, desenvolvido pelos teóricos Gilles Deleuze e Félix Guattari (1977), e de literatura como vida/saúde, discutido por Gilles Deleuze (1997). Chaves de leitura que nos parecem apropriadas para analisar uma arquitetura que desterritorializa a língua maior — o português brasileiro, territorializada no padrão cisgênero heteronormativo — para narrar o conto de um trânsito identitário: o de criança para tubarão, animal estigmatizado e monstrificado pelo olhar humano. Trata-se de uma arquitetura narrativa cujo caso individual, aumentado microscopicamente, revela um povo que se agita por meio de um potente alegoria, que aos moldes deleuzianos, se constitui numa potente “máquina de expressão” numa sociedade LGBTfóbica.

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Publicado
2019-08-28
Como Citar
CHAVES, L. O sexo dos tubarões, de Naná DeLuca, ou uma escrita que faz delirar. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 30, p. 178–190, 28 ago. 2019.