Mil e um mistérios, de António Feliciano de Castilho: uma paródia da literatura de horror

Palavras-chave: António Feliciano de Castilho, literatura de horror, século XIX

Resumo

Apontado como o precursor da literatura gótica portuguesa, devido à sua balada “A Noite do Castelo” (1836), António Feliciano de Castilho (1800-1875) é também aquele que foi responsável pela “verdadeira sátira ao romance de horror” (Sousa, 1979, p. 59) em Portugal. Pelo fato de Castilho ter entrado na historiografia como poeta, a crítica literária praticamente ignora a publicação de Mil e um Mistérios: romance dos romances, cuja primeira parte foi lançada em 1845. A obra recebeu uma continuação na edição de 1907, publicada pelo seu filho, a partir de um fragmento encontrado entre os manuscritos de Castilho, mas, mesmo assim, permaneceu incompleta. Apesar de inacabado, o romance merece ser estudado por trazer uma faceta praticamente desconhecida de Castilho. Sendo assim, é nosso objetivo apresentar uma análise de Mil e um Mistérios, de forma a enriquecer a compreensão sobre o gênero no Oitocentos português.

Biografia do Autor

Luciene Marie Pavanelo, UNESP - Universidade Estadual Paulista

Professora de Literatura Portuguesa na Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil, no âmbito da Graduação e da Pós-Graduação em Letras do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da UNESP. Doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Literatura Portuguesa pela USP e Bacharel e Licenciada em Letras pela USP.

Referências

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Publicado
2021-07-21
Como Citar
PAVANELO, L. Mil e um mistérios, de António Feliciano de Castilho: uma paródia da literatura de horror. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 34, p. 40-53, 21 jul. 2021.
Seção
Artigos