Entre ficção, há história: uma leitura de Carta à Rainha Louca, de Maria Valéria Rezende

Palavras-chave: literatura, história, feminismo, Maria Valéria Rezende, Paulo Freire

Resumo

Inspirada pela descoberta de algumas correspondências no arquivo de Lisboa, nas quais se lêem a defesa de uma mulher brasileira perante a Inquisição portuguesa, Maria Valéria Rezende publica, em 2019, Carta à Rainha Louca. No romance, a narradora, Isabel, luta para sobreviver à ação violenta dos colonizadores contra mulheres, negros e desfavorecidos, tecendo uma profunda análise das relações sociais estabelecidas no Brasil do século XVIII. A partir da reflexão sobre como a leitura e a escrita formam o esteio da luta feminista contra o patriarcado, que fincou raízes nas terras brasileiras com a chegada dos portugueses, o artigo pretende analisar as relações entre literatura e história, segundo o profícuo diálogo que esta Carta estabelece com alguns temas caros da obra do educador Paulo Freire.

Referências

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Publicado
2022-09-04
Como Citar
AGAZZI, G.; FERNANDES, R. C. Entre ficção, há história: uma leitura de Carta à Rainha Louca, de Maria Valéria Rezende. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 37, p. 41-50, 4 set. 2022.
Seção
Dossiê