Dos pornotrópicos à emancipação da mulher: corpo e território em Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo

Palavras-chave: Isabela Figueiredo, pós-colonialidade, corpo, território, gênero

Resumo

O presente artigo se trata de uma análise da obra de autoficção Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo (2010), na perspectiva das representações do corpo no imaginário colonial. O estudo se detém, especialmente, sobre as interdições do erótico às mulheres, que transparecem nos relatos da personagem-narradora, distinguindo os corpos de brancas colonizadoras e de negras colonizadas. Similarmente oprimidas, as mulheres que habitam os dois lados “abissais” do recorte histórico da colonização e da posterior emancipação de Moçambique/Maputo podem ser tomadas como exemplares das reverberações do conceito de pornotrópicos, bem como das ambiguidades do processo colonizador protagonizado por Portugal. No referencial teórico, contribuições de hooks (2018), Lorde (2020), McClintock (2010), Santos (2007; 2010), entre outros.

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Publicado
2022-09-04
Como Citar
RECH, A. P.; SCALIA, D. Dos pornotrópicos à emancipação da mulher: corpo e território em Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 37, p. 103-116, 4 set. 2022.
Seção
Dossiê