Escrevivência: epistemologia dos orixás e a autoafirmação do “sujeito- mulher-negra” no conto Das águas, de Cristiane Sobral

Palavras-chave: escrevivência, autoafirmação, Omi, Osún, Cristiane Sobral

Resumo

Este artigo trata de um estudo acerca do conceito de escrevivência como episteme engendrada na cosmogonia dos orixás. A partir de tal consideração, objetivamos analisar um conto da escritora Cristiane Sobral intitulado Das águas, no qual a autora empreende as experiências vividas pela personagem Omi em espaço de poder. Para entender como a auto-apresentação da mulher negra e a autoafirmação da personagem ocorrem no objeto literário, atinamos para o modo de composição da autora encabeçado na conexão ancestral/espiritual com a divindade Osún. Dessa maneira, a partir de pressupostos teóricos de Evaristo (2005, 2009, 2020), Verger (2002), Munanga (2020), Carneiro e Cury (2008), Sales (2020), Silva (2018), dentre outros, concluímos que a autoafirmação do “sujeito-mulher-negra” na literatura flui da conjunção histórica e social particular às mulheres negras e promove a edificação de uma sabedoria coletiva.

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Publicado
2022-09-04
Como Citar
CARVALHO, M. DO C.; SOUZA, E. Escrevivência: epistemologia dos orixás e a autoafirmação do “sujeito- mulher-negra” no conto Das águas, de Cristiane Sobral. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 37, p. 196-208, 4 set. 2022.
Seção
Artigos