Da destruição do corpo feminino à criação da posterioridade: estética da reação e o antagonismo à violência discursiva

Palavras-chave: estética da reação, crítica literária, autoria feminina

Resumo

Este trabalho integra uma série de composições teóricas relativas ao desenvolvimento do conceito denominado estética da reação. Parte-se da acepção de que a autoria feminina contemporânea emerge enquanto antagonista por excelência das violências, instituídas pelo poder hegemônico no seio da representação. Ao romper com a armadilha do silêncio (Cixous, 1976), a produção artística das mulheres, na referida estética, estabelece a possibilidade da construção de uma posterioridade, anteriormente associada apenas à cultura masculina (Gilbert, Gubar, 1979; Zolin, 2009), através da elaboração de imagens do corpo feminino que assume, enfim, o seu lugar de corpo proeminente, de corpo desejante. Tal envergadura contraria proposições de subalternização disseminadas ao longo dos séculos (Almeida, 2012), suplantando e, por consequência, destruindo as imagens oprimidas dos referidos corpos. Utiliza-se, assim, duas músicas da escritora e compositora Letrux (2017a, 2017b): a música single Hysteria, e a música Que estrago, do álbum Letrux em noite de climão, para que seja possível proceder, a partir do delineamento dos corpos femininos, à identificação dos traços reativos persistentes na autoria feminina contemporânea.

Referências

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Publicado
2022-09-04
Como Citar
NERY, F. Da destruição do corpo feminino à criação da posterioridade: estética da reação e o antagonismo à violência discursiva. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 37, p. 209-218, 4 set. 2022.
Seção
Artigos