"Se não escrevo não luto pela m[inha] libertação": ethos e poiesis nos Papéis da Prisão, de Luandino Vieira
Veredas 38
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Palavras-chave

literatura, resistência, Luandino Vieira, literatura angolana

Como Citar

KACZOROWSKI, J. "Se não escrevo não luto pela m[inha] libertação": ethos e poiesis nos Papéis da Prisão, de Luandino Vieira. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], n. 38, p. 5–16, 2023. DOI: 10.24261/2183-816x0138. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/867. Acesso em: 22 fev. 2024.

Resumo

Papéis da Prisão (2015), do angolano José Luandino Vieira, publicação que reúne material produzido ao longo de 12 anos de reclusão, permite ao leitor não só o contato com a própria prática da escrita como artifício de resistência ao cárcere – uma vez que eram necessárias estratégias que afrontavam o contexto para a produção, preservação e circulação dos Papéis – mas também com a busca pelo desenvolvimento de uma estética que atendesse à necessidade expressiva da complexidade que o escritor tencionava figurar. A reinvenção linguística e formal exercitada ao longo dos 17 cadernos permite notar a apropriação da língua portuguesa como "despojo de guerra" (VIEIRA apud. CHAVES, 1999, p. 167) e o investimento em sua transformação, convocando outras matrizes de pensamento e expressão como forma propositiva de arquitetar uma dicção que desafiasse os limites do idioma da ordem colonial. Valorizando elementos outrora subjugados pela dinâmica do império, a radicalidade do projeto literário permite afirmar um empenho do escritor, "dentro de [seu] particular campo de acção – o estético" (LABAN, 1977, p. 91), em construir uma obra capaz de contestar o projeto de dominação em sua integridade.

https://doi.org/10.24261/2183-816x0138
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Copyright (c) 2023 Jacqueline Kaczorowski