A história de um calcanhar angolano entre Luanda e Lisboa
Colagem analógica de Gisele Gemmi Chiari
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Palavras-chave

Literatura
Colonialismo
Corponormatividade
Deficiência

Como Citar

RÜCKERT, G. H. A história de um calcanhar angolano entre Luanda e Lisboa. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], v. 40, p. 184–192, 2023. DOI: 10.24261/2183-816x1340. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/870. Acesso em: 25 abr. 2024.

Resumo

Os deslocamentos pelas fronteiras identitárias impostas na modernidade ocidental configuram as principais questões da contemporaneidade, sejam essas fronteiras as de nacionalidade, de raça, de gênero ou de eficiência e capacidade. Nesse sentido, o romance Luanda, Lisboa, Paraíso, publicado em 2018 pela escritora angolana/portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida, é bastante elucidativo. Os personagens Cartola e Aquiles migram de Angola para Portugal em razão de uma má-formação no calcanhar do último. Assim, o corpo negro e com deficiência desafia a corponormatividade moderna, tornando--se indesejado na ex-metrópole, e por isso vítima de racismo e capacitismo. Amparado teoricamente nos estudos da deficiência e nos estudos pós-coloniais, este trabalho se propõe a analisar o corpo do personagem Aquiles em seu deslocamento, entendendo este como de fundamental importância para a compreensão das condições de mobilidade e imobilidade imposta aos sujeitos colonizados.

https://doi.org/10.24261/2183-816x1340
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