Mia Couto: entre a cidade e o exílio, em Jesusalém
Colagem analógica de Gisele Gemmi Chiari
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Palavras-chave

luto; exílio; escrita; cidade; responsabilidade
Exílio
Escrita
Cidade
Responsabilidade

Como Citar

PEREIRA, J. P. Mia Couto: entre a cidade e o exílio, em Jesusalém. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], v. 40, p. 193–219, 2023. DOI: 10.24261/2183-816x1440. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/879. Acesso em: 25 abr. 2024.

Resumo

A leitura desdobra, no romance Jesusalém – de Mia Couto – não apenas os pressupostos do seu título, mas também os dos títulos das suas versões brasileira e inglesa. Parte, quer da ambivalente significação do advérbio “além” – ali associado ao nome de “Jesus” – quer do jogo paronomástico com “Jerusalém” – cidade ética, política e religiosamente pensada por Emmanuel Lévinas, em Au-delà du verset. Sublinha, assim, o que o “além” implica, de uma certa crítica do cristianismo e acompanha, na personagem de Silvestre Vitalício, quer o processo do seu exílio da cidade e da sua loucura, quer a sua melancólica sobrevivência à morte de sua esposa, Dona Dordalma. Na escrita de Mwanito – autor ficcional do romance – observa a sua compatibilidade, quer com o conceito desconstrutivo de “escrita em geral”, de Jacques Derrida, quer com o conceito de imagem, segundo E. Lévinas, ambos a suporem uma obliteração do “ser” como presença plena.

https://doi.org/10.24261/2183-816x1440
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