Escrever sensações, inscrever afectos: notas para uma teoria literária menor segundo Gilles Deleuze
Colagem analógica de Gisele Gemmi Chiari
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Palavras-chave

afectos
sensação literária
Teoria da Literatura
estética da literatura
Gilles Deleuze

Como Citar

NOGUEIRA, C. V. R. Escrever sensações, inscrever afectos: notas para uma teoria literária menor segundo Gilles Deleuze. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], n. 39, p. 64–81, 2023. DOI: 10.24261/2183-816x0539. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/901. Acesso em: 27 maio. 2024.

Resumo

A literatura não se esgota nos seus aspectos discursivos, o que significa dizer que há algo mais, um afecto, um conjunto de afectos e perceptos que passa por entre as palavras sem, contudo, se diluir nelas. Embora não exista sem a linguagem (quid facti), a literatura produz sensações diferenciais (quid juris) que ultrapassam a lógica discursiva e a veiculação dos enunciados. Para além do imperativo comunicacional, as personagens e as paisagens da literatura podem ser descritas enquanto insistências virtuais, o que, nem por isso, as tornam, no entanto, menos reais. A literatura, ou o fato literário, torna sensível o insensível da linguagem enquanto violência que torna sensória os limites mesmos da nossa sensibilidade. É a partir dessas proposições de Gilles Deleuze que este ensaio se debruça, procurando explicitar o uso de uma constelação de conceitos que insiste na capacidade da literatura de escrever sensações, de inscrever afectos. “Devir”, “Território” e “Ritornelo” são alguns desses conceitos que servem de orientação para a hipótese de uma teoria literária menor que procura cartografar os afectos produzidos pela literatura. Essa teoria literária menor poderia ser denominada, de igual modo, uma estética da literatura.

 

https://doi.org/10.24261/2183-816x0539
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