Mia Couto: uma escrita na voz – aprendendo com a chuva...
Colagem analógica de Gisele Gemmi Chiari
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Palavras-chave

(arqui-)escrita
voz
obliteração do próprio
différance
marca

Como Citar

PEREIRA, J. P. Mia Couto: uma escrita na voz – aprendendo com a chuva... Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], n. 39, p. 96–118, 2023. DOI: 10.24261/2183-816x0739. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/912. Acesso em: 17 jul. 2024.

Resumo

A nossa leitura de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, da autoria de Mia Couto, tem o seu foco na conceção de escrita que, da singular correspondência entre as personagens do Avô Dito Mariano e Mariano, o neto que lhe herda o nome, se desprende. A nossa questão condutora refere-se, por um lado, à dupla inscrição de Dito Mariano, a respeito dessa escrita: simultaneamente por fora – sendo ele analfabeto... – e por dentro – mas num sentido que julgamos derrideano. As premissas da noção de escrita de Mia Couto, expostas em E se Obama fosse africano? são, por seu lado, compatíveis, com as posições de Jacques Derrida, contidas em livros como Posições, De la grammatologie, Marges – de la philosphie ou Points de suspension sobre uma certa escrita na voz, uma arqui-escrita que nos deve ajudar a reconsiderar a posição da oralidade, na sua diferença em relação à escrita corrente.

https://doi.org/10.24261/2183-816x0739
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