Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas https://revistaveredas.org/index.php/ver <h2>Veredas: revista da Associação Internacional de Lusitanistas</h2> <div id="content"> <div id="journalDescription"> <p><strong><em>Veredas</em></strong> é uma revista semestral da <a href="https://www.lusitanistasail.org/">Associação Internacional de Lusitanistas</a>. Trata-se de uma publicação científica que tem como objetivo a divulgação de pesquisas sobre a literatura e a cultura dos países de língua portuguesa.&nbsp;</p> </div> </div> Associação Internacional de Lusitanistas — AIL pt-BR Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas 2183-816X Expediente https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/687 Administrador Veredas ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 1 5 A arma da teoria: pensamento africano e literatura https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/587 <p>O artigo procura repensar alguma caraterísticas da filosofia africana no espaço da língua portuguesa em comparação com outros contextos africanos que foram atravessados pelo processo de colonização (em particular a África francesa e inglesa). Depois dos processos de independência que se fundaram sobre pensamentos ideologicamente fortes (nomeadamente o caso de Amílcar Cabral), os tempos pós-coloniais não parecem ser marcados por reflexões radicais como ocorreu em outros âmbitos, sobretudo a partir de um enxerte favorável de diferentes pensamentos radicais. Discutindo a diferença entre filosofia e pensamento no quadro da revisão do pensamento sobre a comunidade, que desconstrói a obra identitária e as narrativas de nação, propõe-se encontrar na literatura – e não na filosofia no sentido estrito, nos contextos da África de língua portuguesa – estilhaços deste pensamento radical que se encontram disseminados em numerosos textos. Partindo do caso da reconfiguração da comunidade no clássico <em>Luuanda</em> de Luandino Vieira, a perspetiva que se esboça é a de um mapeamento do pensamento africano no espaço da língua portuguesa disseminado em textos literários.</p> Roberto Vecchi ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 5 15 10.24261/2183-816x0133 Ser-se estrangeiro: forjas (a)poéticas de desterritorialização https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/585 <p>A partir de um quadro teórico que conjuga o conceito de \textit{desterritorialização} tal qual desenvolvido por Gilles Deleuze e Félix Guattari, e da teoria a-poética de Charles Bernstein, analisa-se três movimentos de fuga à territorialidade, permeados pelos processos de colonização moderna e globalização contemporânea, debruçando-se sobre três bases literárias. Primeiro intenciona-se analisar como este processo ocorre na relegação da condição de estrangeiro aos nativos de um território na exploração colonial com enfoque no conto “A legião estrangeira” de Clarice Lispector; depois, investiga-se o movimento de globalização pela consolidação da língua inglesa como padrão comunicacional pela análise crítica de poemas de Paulo Leminski e José Brites; finalmente, a partir de uma leitura dos poemas que compõem “Mapas de Viagem” de Frederico Barbosa, conclui-se sobre os hiatos da composição de uma identidade nacional gerados pelas desigualdades e mazelas internas deflagradas no caso brasileiro.</p> Lucas Augusto da Silva ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 16 30 10.24261/2183-816x0233 A ressignificação da corporeidade da mulher negra em Becos da memória, de Conceição Evaristo https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/611 <p>Este artigo investiga a reescritura da corporeidade da mulher negra no romance <em>Becos da memória,</em> de Conceição Evaristo, publicado em 2006. Intenciona-se analisar a forma como o corpo e seus símbolos são representados no romance e como essas construções desestabilizam juízos morais e estereótipos que ancoram o corpo da mulher negra a um passado escravizado, criando novas territorialidades onde a subjetividade da mulher negra é visibilizada e valorizada.</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> Angela Rodriguez Mooney ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 31 47 10.24261/2183-816x0333 Desconfortos ressignificados nas narrativas de Natalia Borges Polesso e Carol Bensimon https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/616 <p>O artigo analisa as narrativas <em>Todos nós adorávamos caubóis</em>, de Carol Bensimon, e <em>Amora,</em> de Natália Borges Polesso, a partir das discussões a respeito das identidades e da lesbofobia. Fundamenta-se a discussão nas teorias de Sara Ahmed sobre os sentimentos <em>queer</em> e o binômio conforto/desconforto, bem como nas relações entre espaço e literatura teorizadas por Susan Stanford Friedman e Doreen Massey. O artigo pretende demonstrar como as obras ressignificam desconfortos em novas possibilidades amorosas e identitárias.</p> Virgínia Maria Vasconcelos Leal ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 48–60 48–60 10.24261/2183-816x0433 A força-silêncio do estereótipo: as vozes de Um palimpsesto de putas, de Elvira Vigna https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/685 <p>O presente texto detém-se na análise da obra de Elvira Vigna, <em>Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</em> (2016). O processo de construção da personagem prostituta, bem como as características da narrativa que corroboram com o desenvolvimento da identidade, constituem o foco do trabalho. Estarão em pauta variados aspectos que contribuem para uma representação literária pautada no estereótipo; questões essas que envolvem o corpo feminino, a transformação em mercadoria e demais rótulos imputados as trabalhadoras sexuais, esses indivíduos pouco célebres do submundo erótico. A inserção da subjetividade na composição das personagens também será verificada, no intuito de reaver o protagonismo da prostituta — figura estigmatizada tanto na sociedade quanto na literatura — e seu reconhecimento como sujeito. Vigna habilmente apresenta uma série de estigmas para então derrubá-los com os questionamentos de uma aguçada narradora. Por intermédio do seu rol de prostitutas, ou, do seu palimpsesto de putas, ela emprega uma exposição crua e sucessiva de estereótipos, em um modelo denunciativo, que exprime para anular.</p> Ricardo Araújo Barberena Ana Carolina Schmidt Ferrão ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 61 73 10.24261/2183-816x0533 Orlanda Amarílis, Vera Duarte e Dina Salústio: a tessitura da escrita de autoria feminina na ficção cabo-verdiana https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/595 <p>A escrita de autoria feminina, em especial das escritoras cabo-verdianas Orlanda Amarílis, Dina Salústio e Vera Duarte, contribui para a construção da identidade cabo-verdiana e caminha na direção da contestação da violação de direitos, sobretudo, da mulher. Objetivou-se perscrutar, a partir da tessitura da escrita de autoria feminina, a construção de uma literatura que, ao focar o olhar nas mulheres, para além de, inicialmente, intentar rasurar o ideal colonialista, pautado em uma estrutura patriarcal, expõe, repisa, denuncia, e ressignifica a realidade das mulheres em contextos de opressão. Dessa maneira, a escrita de Amarílis, de Duarte e de Salústio irrompem as fronteiras cabo-verdianas para abarcar “vozes-mulheres” outras que, pelos caminhos da literatura, desconstroem violências estruturais e reconstroem identidades silenciadas.</p> Lílian Paula Serra e Deus ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 74 87 10.24261/2183-816x0633 Da desumanização à criação: a revolução no antropoceno em A nossa alegria chegou, de Alexandra Lucas Coelho https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/564 <p><em>A nossa alegria chegou</em> (2018) de Alexandra Lucas Coelho é um romance que se posiciona num horizonte de expectativas face ao impacto negativo da ação humana no planeta na era do Antropoceno. Alendabar, espaço totalmente criado <em>ab novo</em> e que não corresponde a nenhuma área geográfica identificável, reifica o impacto da destruição ambiental a que se soma a desumanização resultante de um capitalismo antropofágico e voraz. Esta desumanização concretiza-se, por um lado, na coisificação dos trabalhadores e, por outro lado, na incapacidade de quem detém o poder de sentir empatia pelo seu semelhante. Este artigo discute que, em <em>A nossa alegria chegou</em>, esta violência apenas pode ser combatida por outras formas de violência que são, em si mesmas, essencialmente regeneradoras. A destruição infligida em Alendabar constrói-se literariamente sobre memórias da exploração, do colonialismo e da opressão que estão presentes na experiência do Sul Global, desenhado e intuído a partir da linha do equinócio. Nas reminiscências de visões ancestrais e de experiências de saberes vividos no sul, resgata-se o valor humano expresso em toda a sua plenitude através de uma revolução radical e violenta, mas regeneradora sob memória simbólica da antropofagia ritualística. Eduardo Viveiros de Castro (2002) afirmou que a antropofagia de Oswald de Andrade é uma reflexão metacultural que produziu uma teoria verdadeiramente revolucionária. Em <em>A nossa alegria chegou</em>, é através das imagens dos corpos devorados e libertos que se chega à ressignificação do <em>antropos</em> como parte da utopia do amor físico, real e inteiro.</p> Margarida Rendeiro ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 88 101 10.24261/2183-816x0733 Literatura e arte indígena no Brasil https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/686 <p>O texto apresenta um breve panorama da arte e literatura indígena no Brasil, desde a chegada de Cabral até os dias atuais. Considerando que, por muitos séculos, os povos indígenas foram invisibilizados das mais diversas formas, inclusive pela cultura hegemônica “branca”, que sempre ditou o cânone no Brasil, o artigo aborda a construção do “índio” na cultura brasileira, passando pelo Indigenismo e pelo Modernismo, e se concentra nas vozes indígenas que começam a (in)surgir com mais força a partir dos anos 2000: Ailton Krenak, Daniel Munduruku, Eliane Potiguara, Denilson Baniwa, Jaider Esbell, entre outros. Vozes que reivindicam o lugar que lhes foi negado na sociedade brasileira, um lugar de direito à vida, à arte e à cidadania, um lugar que aponta para novas narrativas, cada vez mais necessárias.</p> Carola Saavedra ##submission.copyrightStatement## https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt 2021-05-05 2021-05-05 33 102 120 10.24261/2183-816x0833