Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas
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<h2><sub>Veredas: revista da Associação Internacional de Lusitanistas</sub></h2> <div id="content"> <div id="journalDescription"> <p><strong><em>Veredas</em></strong> é uma revista semestral da <a href="https://www.lusitanistasail.org/">Associação Internacional de Lusitanistas</a>. Trata-se de uma publicação científica que tem como objetivo a divulgação de pesquisas sobre a literatura e a cultura dos países de língua portuguesa. </p> </div> </div>Associação Internacional de Lusitanistas — AILpt-BRVeredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas2183-816X<p>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</p> <ol> <li>Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">Licença Creative Commons Attribution </a>que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.</li> <li>Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</li> <li>Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja <a href="http://opcit.eprints.org/oacitation-biblio.html" target="_new">O Efeito do Acesso Livre</a>).</li> </ol>Expediente
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Editor Veredas AIL
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2026-05-222026-05-2245Apresentação Dossiê: Memórias entrelaçadas: reflexões sobre memória e identidade na literatura lusófona
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<p>Há um fio que cose o tempo. Não o fio cronológico dos calendários, mas um “fio de linho da palavra”, para citar a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, e também de sangue e de esquecimento, que as literaturas de língua portuguesa não se cansam de fiar e desfiar, como uma Penélope coletiva que tece, à noite, o sudário dos impérios e desmancha, ao amanhecer, a ilusão de uma identidade una. É desse fio que se ocupa este número, cujo título — “Memórias entrelaçadas: reflexões sobre memória e identidade na literatura lusófona” — já é um mapa do labirinto que nos convida a percorrê-lo.</p>Susana L. M. AntunesMaria da Conceição Oliveira Guimarães
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2026-05-222026-05-22455710.24261/2183-816x0045Mia Couto: os sonhos de Kindzu, em Terra Sonâmbula
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<p>O fio orientador da nossa leitura foi, não só o de compreender a natureza do <em>sonho</em> e da <em>viagem</em> na obra de Mia Couto, mas também o de observar o seu lugar, na história da personagem Kindzu que é, também, autor ficcional em <em>Terra Sonâmbula</em>. Baseados na sua autodefinição como um <em>escritor de sonhos</em>, procurámos estabelecer a ligação, – graças às intermediações de Freud, em <em>L'Interprétation du rêve</em> e de Jacques Derrida, em «Freud et la scène de l'écriture», de <em>L'écriture et la différence</em> – entre a conceção psicanalítica do sonho e a de Mia Couto, ao mesmo tempo que associámos o processo de temporalização do real que a viagem implica, com o rearranjo do psiquismo e a regeneração do sujeito imputados à função onírica, seguindo as distinções do psicanalista brasileiro Decio Gurfinkel e as do próprio Mia Couto, em cuja obra o <em>sonho</em> se cruza com a <em>escrita</em> e com a <em>viagem</em>. É o caso de <em>Terra Sonâmbula</em>.</p>Jose Paulo Pereira
Copyright (c) 2026 Jose Paulo de Lemos e Melo Cruz Pereira
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2026-05-222026-05-224512114410.24261/2183-816x0945Entre a desesperança e a identidade: a poética do trauma e da resistência em Tony Tcheka
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<p>Este artigo tem como objetivo analisar de que maneira a poesia de Tony Tcheka, especialmente em <em>Desesperança no Chão de Medo e Dor</em> (2015), representa a identidade guineense por meio da memória dos conflitos políticos recentes. A metodologia se baseia em análise textual qualitativa, com leitura crítica do <em>corpus</em> e articulação com referenciais teóricos sobre identidade, linguagem e testemunho. O estudo dialoga com Stuart Hall, Zygmunt Bauman, Seligmann-Silva, Moema Augel e Campato Jr., cujas contribuições permitem compreender a relação entre memória, trauma e construção identitária. Ao final, conclui-se que a poesia de Tcheka transforma vivências de dor, medo e instabilidade em narrativa de resistência, reafirmando a guineendade como memória coletiva e força política.</p>Luis Carlos Alves de Melo
Copyright (c) 2026 Luis Carlos Alves de Melo
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2026-05-222026-05-224514516110.24261/2183-816x1045Diálogo entre Fanon e Krenak
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<p>O presente artigo propõe um diálogo entre Frantz Fanon, a partir das obras <em>Os condenados da terra</em> e <em>Pele </em><em>negra, máscaras brancas</em>, e Ailton Krenak, por meio de <em>Ideias para adiar o fim do mundo</em>, com o objetivo de analisar o conceito de humanidade em ambos os autores. Argumenta-se que a colonização produz não apenas uma desumanização material, mas também psicológica, marcada pela internalização do racismo e pela corrosão da identidade do sujeito colonizado. Embora situados em contextos distintos, Fanon e Krenak compartilham uma crítica aos sistemas coloniais e capitalistas, compreendidos como estruturas que instauram um regime ontológico baseado na hierarquização das vidas, na racialização dos corpos e na legitimação da exclusão. Fanon defende a violência revolucionária como meio de restauração da humanidade dos povos oprimidos, enquanto Krenak questiona a noção hegemônica de humanidade imposta pela modernidade ocidental, propondo uma cosmovisão na qual a vida humana se encontra intrinsecamente ligada ao meio ambiente. O estudo dialoga com autores como Achille Mbembe e György Lukács, entre outros, e conclui que ambos contribuem para a reconstrução da humanidade, a partir da reconciliação com as identidades e de novas formas de relação com o mundo.</p>Selma Capinan
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2026-05-222026-05-224516217410.24261/2183-816x1145Mila em três fases: a construção de uma identidade cultural sob contexto diaspórico em Esse cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida
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<p>O presente artigo analisa o processo identitário de Mila, protagonista do romance autoficcional <em>Esse cabelo</em>, da escritora angolana Djaimilia Pereira de Almeida. Adotou-se, como principal metodologia, o estudo bibliográfico, fundamentado em autores da literatura pós-colonial e dos estudos socioculturais, como Bhabha (1998), Hall (1998; 2006) e Bonnici (2012), que embasaram a análise dos efeitos da diáspora africana e do hibridismo cultural na personagem. Observou-se que Mila, ao migrar de Angola para Portugal ainda na infância, atravessou três fases formativas marcadas por conflitos identitários relacionados à diáspora, ao não pertencimento e ao racismo. Concluiu-se que a narradora-personagem descreveu, por meio da escrita literária, um processo de autoconhecimento que culminou na formação de uma identidade transcultural. Assim, o artigo evidencia como a obra de Almeida articula experiência pessoal e memória coletiva na representação da mulher negra diaspórica.</p>Victor Rafael AguiarDaniel Castello Branco CiarliniJuliana Vieira Braga
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2026-05-222026-05-224517518910.24261/2183-816x1245Paisagens aquáticas sob ameaça: um estudo comparativo sobre preocupações ambientais em poemas selecionados de Mario Petrucci e Margaret Atwood
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<p>A água tem sido, ao longo do tempo, celebrada por poetas de todas as épocas na literatura. Sir C. V. Raman, de forma afetuosa, denominou-a o “elixir da vida”. No entanto, com o passar do tempo, os Estudos Ecológicos passaram a submeter a água a um escrutínio acadêmico. Este artigo centra-se no extraordinário poder destrutivo das paisagens aquáticas durante catástrofes inesperadas. O termo “paisagens aquáticas” abrange todas as fontes de corpos hídricos, como mares, rios, lagos, zonas úmidas, oceanos e até mesmo lagoas. O trabalho aprofunda-se na água, concebendo-a como uma metáfora dinâmica, e investiga a conexão inevitável entre os seres humanos e esse elemento. Além disso, aborda questões como poluição, mudanças climáticas, padrões climáticos imprevisíveis, elevação do nível do mar e extinção de espécies, todas associadas às paisagens aquáticas. Mario Petrucci, poeta britânico nascido na Itália, e Margaret Atwood, uma poeta canadense multifacetada, demonstram profunda preocupação com o bem-estar ecológico do planeta; por essa razão, foram selecionados para análise alguns de seus poemas mais representativos. Os poemas de Petrucci — “Goluboy”, “Light”, “India” e “Pripyat” — e os de Atwood — “Frogless”, “Spring in the Igloo”, “Bear’s Lament” e “Vermilion Flycatcher, San Pedro River, Arizona” — exploram as ameaças enfrentadas pelos corpos d’água em diferentes regiões do mundo.</p>A. Pavithra V. Subathra Devi
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2026-05-222026-05-224519020010.24261/2183-816x1345A Revolução dos Cravos revisitada em Os memoráveis, de Lídia Jorge
https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/1048
<p>O presente ensaio examina o romance <em>Os memoráveis</em>, de Lídia Jorge (2014), enfatizando, no decorrer da diegese, os testemunhos das personagens referentes a um acontecimento central na vida nacional portuguesa: a Revolução dos Cravos. O propósito do texto é considerar tais depoimentos como fontes significativas para uma reflexão das relações entre memória, história e esquecimento, tal como expõe Paul Ricoeur em seu estudo acerca de tais categorias. Nessa perspectiva, as passagens extraídas do romance alcançam uma qualidade exemplar no questionamento acerca do resgate do passado, pois expressam a complexidade e os riscos em torno dos usos e abusos da memória.</p>José Fornos
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2026-05-222026-05-224582110.24261/2183-816x0145Teatro e contra-memória: identidade e resistência no arquivo censório do Estado Novo
https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/1065
<p>O artigo analisa o teatro português censurado nos anos finais do Estado Novo (1973-1974), centrando-se na relação entre memória e identidade. A partir dos contributos de Maurice Halbwachs sobre os “quadros sociais da memória” e de Aleida Assmann sobre a memória cultural, defende que a censura teatral ajudava a definir aquilo que podia ser lembrado e partilhado no espaço público. A identidade nacional surge, portanto, não como uma realidade fixa, mas como uma construção atravessada por narrativas em conflito e por formas de controlo do discurso. O estudo cruza a leitura de processos censórios conservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e no Museu Nacional do Teatro e da Dança com a análise de duas peças, <em>Lisboa 72</em> e <em>Na Barca com Mestre Gil</em>. Mostra, por fim, como estes textos trazem ao palco memórias incómodas da guerra colonial, da desigualdade social e da hierarquia entre centro e periferia, pondo em causa o modelo identitário homogéneo promovido pelo regime e reabrindo as narrativas sobre o passado ditatorial.</p>Marta Ribeiro Figueiredo
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2026-05-222026-05-2245223510.24261/2183-816x0245Perspectiva afro-fabulada, inscrição da memória pós-colonial
https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/1060
<p>Este artigo analisa <em>Sua Excelência, de Corpo Presente</em>, de Pepetela (2020), focando em como memória e identidade são construídas. A partir da condição liminar do narrador-ditador (“Estou morto”), propõe-se o conceito de “perspectiva afro-fabulada” como o método narrativo que dá voz à sua identidade cindida. Argumenta-se que essa fratura revela o “narrador pós-colonial-colonial”: um sujeito que, embora produto da independência, reproduz as lógicas de poder coloniais. A análise estrutura-se a partir das condições de enunciação (o “espaço-encruzilhado” e o “tempo espiralar”) e da “subjetividade criadora” (a fabulação). Demonstra-se como essa fabulação expõe as duas faces do narrador, o “Eu Pós-colonial” (crítico) e o “Eu Colonial” (autoritário), e funciona como uma “política da memória” para disputar o legado pós-colonial.</p>Jeferson Rodrigues dos Santos
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2026-05-222026-05-2245365310.24261/2183-816x0345“Pourtougal”, pátria imaginada: pós-memória e reconstrução identitária na diáspora portuguesa na obra de Michael Gouveia
https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/1084
<p>O presente estudo analisa a construção identitária de um sujeito lusodescendente em <em>O Herdeiro</em> (2025), de Michael Gouveia, explorando como a memória familiar, os rituais culturais e os espaços do quotidiano moldam uma pátria imaginada na diáspora portuguesa. Inserido nos cruzamentos entre estudos da diáspora e Estudos de Memória, o trabalho recorre aos conceitos de “pós-memória” (Hirsch), “ficções da memória” (Nünning) e “lugares de memória” (Nora) para compreender a transmissão intergeracional da herança cultural. A análise evidencia que a identidade do protagonista se estrutura em torno de lugares como a casa familiar, a padaria portuguesa, a igreja, a escola e os espaços laborais, que funcionam como suportes simbólicos da portugalidade. Simultaneamente, revela-se o peso moral de honrar os sacrifícios da primeira geração, frequentemente associado a sentimentos de impostura. O conceito ficcional de “Pourtougal” simboliza a pátria intersticial construída entre memória, imaginação e hibridez linguística, demonstrando que a identidade lusodescendente resulta de uma negociação contínua entre herança cultural e experiência contemporânea.</p>Susana Pimenta
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2026-05-222026-05-2245546610.24261/2183-816x0445Memória e identidade em Metade cara, metade máscara, de Eliane Potiguara
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<p>O presente artigo propõe uma análise da obra <em>Metade cara, metade máscara</em> (2018), de Eliane Potiguara, partindo da indagação de Gabriela Nouzeilles (2011) sobre “os restos moribundos do político” em sociedades marcadas pela violência e negligência do Estado. Buscamos compreender como a literatura de Potiguara articula memória, identidade e resistência, com ênfase na experiência feminina indígena. A pesquisa se ancora em perspectivas teóricas de Benjamin (1994), Quijano (2005), Lugones (2020), entre outros, articulando literatura, história e política. Conclui-se que a obra realiza um trabalho de resgate da memória coletiva indígena, utilizando história e ficção, reafirma a identidade das mulheres indígenas a partir da reconexão com a ancestralidade e propõe uma utopia de justiça social inclusiva.</p>Claudia Luiza Caimi
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2026-05-222026-05-2245677910.24261/2183-816x0545Macau e a China na poesia de Fernanda Dias: memórias enre(n)dadas
https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/1058
<p>Este estudo investiga o entrelaçamento singular de memórias de Macau e da cultura clássica chinesa na obra poética de Fernanda Dias. Tendo vivido em Macau entre 1986 e 2005, período de intensas transformações políticas, administrativas e econômicas, a poeta registra o apagamento gradual de heranças culturais diante da modernização acelerada da cidade. Em resposta, sua poesia volta-se para a profundidade da cultura antiga chinesa e de seus clássicos, mobilizando modalidades de memória – inventadas, escutadas, colecionadas e reavivadas – que articulam dimensões individuais, culturais e coletivas. Essas memórias vão da criação de um amante chinês à releitura e renovação de textos canônicos, como o <em>Yi </em><em>Jing</em> (<em>Livro das Mutações</em>) e o <em>Àomén Jìlüè</em> (<em>Monografia de Macau</em>). A análise culmina em uma leitura detalhada de um poema fundamental para a historiografia sino-macaense: “Guo Lingdingyang”, de Wen Tianxiang (1236-1283), cuja evocação ilumina o diálogo entre memória histórica e memória poética na criação de Dias.</p>Raquel Abi-SâmaraChen Keyi
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2026-05-222026-05-2245809310.24261/2183-816x0645O passado em construção: a memória como matéria literária em Bambino a Roma, de Chico Buarque
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<p>Ancorado em aportes teóricos dos estudos sobre a memória, o artigo examina o modo como o tema se manifesta no campo literário, tomando como objeto de análise o romance <em>Bambino a Roma</em> (2024), de Chico Buarque. O estudo, sustentado também por referenciais da psicanálise, destaca como a narrativa, permeada por lembranças sensoriais e afetivas, articula dimensões individuais, históricas e culturais da experiência. Com base em conceitos freudianos acerca das memórias e em diálogo com autores como Halbwachs, Ricoeur e Bosi, observa-se como o texto literário se constitui como espaço de (re)criação de lembranças e de problematização das formas de lembrar e esquecer. A leitura propõe que, ao revisitar o passado, o narrador evidencia o caráter ficcional da memória e o potencial expressivo da escrita como forma de elaboração subjetiva e histórica.</p>Mayara de Andrade Calqui
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2026-05-222026-05-22459410710.24261/2183-816x0745Da identidade diaspórica em Orlanda Amarílis: música e dança entre “lá” e “cá”
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<p>O artigo propõe-se a demonstrar que práticas musicais e coreográficas operam como dispositivos de memória cultural e vetores de (re)construção identitária na diáspora cabo-verdiana, a partir dos contos “Rodrigo” e “Thonon-les-Bains”, de Orlanda Amarílis. Recorrendo a estudos sobre diáspora, memória e identidade, argumenta-se que elementos culturais cabo-verdianos constituem figuras de memória que, ao serem performatizadas em contextos diaspóricos, reatualizam e complexificam a identidade cabo-verdiana tornando-a híbrida e transnacional. Em “Rodrigo”, tais práticas consolidam vínculos comunitários e expõem fissuras internas do protagonista homónimo entre a memória da terra natal e a vida local; em “Thonon-les-Bains”, a afirmação corporal da diferença por parte de Piedade desencadeia violência e torna visíveis tensões de pertença na experiência diaspórica cabo-verdiana. Conclui-se que Amarílis encena uma identidade diaspórica em permanente negociação, moldada pela circulação, inscrição e conflito da memória cultural.</p>Wen YangAna Paula Coutinho
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2026-05-222026-05-224510812010.24261/2183-816x0845