Relações de poder em Melhor não contar de Tatiana Salem Levy
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Palavras-chave

Autoficção
Literatura Feminina
Relações de poder
Literatura brasileira contemporânea
Tatiana Salem Levy

Como Citar

D’ALTE, P. G. R. A. M. Relações de poder em Melhor não contar de Tatiana Salem Levy. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], v. 44, p. 114–129, 2025. DOI: 10.24261/2183-816x0844. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/1028. Acesso em: 30 jan. 2026.

Resumo

A narrativa labiríntica, Melhor não contar (2024), da autoria de Tatiana Salem Levy entretece elementos da experiência pessoal da autora com reflexões sobre a escrita feminina como ato de resistência contra diversas estruturas patriarcais, contra a perpetuação da violência sexual dentro e fora do ambiente familiar, contra o silenciamento feminino. A opção estética e compositiva do romance que o faz ocupar interstícios entre o público e o privado; o literário e o real; desafiando as convenções tradicionais de legitimação literária obrigam, num primeiro momento, a uma análise literária que esclareça as implicações da autoficção. Posteriormente, o presente exercício caminha para o seu objetivo principal e que tem que ver com a análise das complexas relações de poder que permeiam o romance, especialmente no contexto do silêncio imposto às vítimas de assédio sexual e de violência familiar. Para tal, recorre-se a modelos de análise construídos para o efeito. É de crer que o exercício contribua para a análise literária de obras de feição autoficcional, de autoria feminina, mas de valor universal.

https://doi.org/10.24261/2183-816x0844
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