A memória como desagregação da identidade nacional em As naus, de António Lobo Antunes
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Palavras-chave

António Lobo Antunes
As naus
Memória
Identidade nacional

Como Citar

SILVA, G. K. de M. A memória como desagregação da identidade nacional em As naus, de António Lobo Antunes. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], v. 44, p. 130–142, 2025. DOI: 10.24261/2183-816x0944. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/1062. Acesso em: 30 jan. 2026.

Resumo

Este artigo tem por objetivo a análise dos dados memorialísticos do romance As naus, de António Lobo Antunes. Considera, para isso, as noções de memória e memorização forçada de Paul Ricoeur (2007), a concepção do procedimento memorialístico de Walter Benjamin (1987) e o entendimento de Eduardo Lourenço (1978, 1994) do processo identitário hipertrófico português. No que diz respeito à metodologia, utilizou-se a concepção de unidade entre forma e conteúdo e a internalização do dado social pela literatura, conforme a perspectiva da leitura integrativa (Candido, 2014). Observou-se, ao longo da análise, como duas personagens do romance, quais sejam Pedro Álvares Cabral e o homem de nome Luís, relacionam-se, a partir da memória, com os espaços ficcionais, produzindo rupturas frente a suas contrapartes históricas. Concluímos, ao fim da leitura crítica, que as personagens rejeitam o ambiente português e veem obstruídas as possibilidades de reconstituição de uma identidade nacional.

https://doi.org/10.24261/2183-816x0944
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