A arma da teoria: pensamento africano e literatura
Imagem da capa: Mural de Ruben Zacarias no Parque Nacional de Gorongosa - Moçambique, 2020.
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Palavras-chave

filosofia africana
pensamento nos países africanos de língua portuguesa
filosofia e literaturas
comunidade
Luuanda

Como Citar

VECCHI, R. A arma da teoria: pensamento africano e literatura. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], n. 33, p. 5–15, 2021. DOI: 10.24261/2183-816x0133. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/587. Acesso em: 26 jan. 2026.

Resumo

O artigo procura repensar alguma caraterísticas da filosofia africana no espaço da língua portuguesa em comparação com outros contextos africanos que foram atravessados pelo processo de colonização (em particular a África francesa e inglesa). Depois dos processos de independência que se fundaram sobre pensamentos ideologicamente fortes (nomeadamente o caso de Amílcar Cabral), os tempos pós-coloniais não parecem ser marcados por reflexões radicais como ocorreu em outros âmbitos, sobretudo a partir de um enxerte favorável de diferentes pensamentos radicais. Discutindo a diferença entre filosofia e pensamento no quadro da revisão do pensamento sobre a comunidade, que desconstrói a obra identitária e as narrativas de nação, propõe-se encontrar na literatura – e não na filosofia no sentido estrito, nos contextos da África de língua portuguesa – estilhaços deste pensamento radical que se encontram disseminados em numerosos textos. Partindo do caso da reconfiguração da comunidade no clássico Luuanda de Luandino Vieira, a perspetiva que se esboça é a de um mapeamento do pensamento africano no espaço da língua portuguesa disseminado em textos literários.

https://doi.org/10.24261/2183-816x0133
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