De Buster Brown a Burroughs: introdução a uma genealogia irônica dos quadrinhos brasileiros

  • Alexander Linck Vargas Universidade do Sul de Santa Catarina
Palavras-chave: genealogia, quadrinhos brasileiros, identidade, antropofagia, corpo sem órgãos

Resumo

O presente artigo busca fazer uma genealogia irônica do quadrinho brasileiro a partir do questionamento de sua origem e da invenção do contramito Chiquinho, isto é, Buster Brown, personagem criado por Richard F. Outcault e predado pela revista brasileira O Tico-Tico. Diferentemente de um regime identitário, observar-se-á na experiência dos quadrinhos do Brasil uma subjetividade antropofágica (Oswald de Andrade), ou antes, uma grandeza intensiva protossubjetiva e pré-individual, corpo sem órgãos (Deleuze, Guattari). Procurando atestar a hipótese, a análise irá se deter no quadrinho brasileiro contemporâneo, mais especificamente em Burroughs, de João Pinheiro. Com isso, espera-se contribuir para uma historiografia contraidentitária das histórias em quadrinhos brasileiras.

Referências

Andrade, Oswald. Manifesto antropófago. In. Telles, Gilberto Mendonça. Vanguarda européia e modernismo brasileiro: apresentação dos principais poemas metalinguísticos, manifestos, prefácios e conferências vanguardistas, de 1857 a 1972. Petrópolis: Vozes, 2009.

Angeli; Laerte (ed.). Baiacu. São Paulo: Todavia, 2017.

Azevedo, Ezequiel de. O Tico-Tico: cem anos de revista. São Paulo: Via Lettera, 2005.

Batschke, Nayara. Exame: Crise nas livrarias Cultura e Saraiva abala o cenário editorial no Brasil. 2018. Disponível em: https://exame.abril.com.br/economia/crise-nas-livrarias-cultura-e-saraiva-abala-o-cenario-editorial-no-brasil/. Acesso em: 30 abr. 2019.

Beaty, Bart. Comics versus art. Toronto: University of Toronto, 2012.

Burroughs, William S. Os limites do controle. In. Pinheiro, João. Burroughs. São Paulo: Veneta, 2015.

Burroughs, William S. Almoço nu. São Paulo: Cia das Letras, 2016.

Campos, Rogério de. Imageria: o nascimento das histórias em quadrinhos. São Paulo: Veneta, 2015.

Campos, Rogério de. Entrevista na Editora Veneta. São Paulo, 2018.

Cirne, Moacy. História e crítica dos quadrinhos brasileiros. Rio de Janeiro: Europa; Funarte, 1990.

Coccia, Emanuele. A vida sensível. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2010.

Deleuze, Gilles. Crítica e clínica. São Paulo: 34, 1997.

Deleuze, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In. Conversações. São Paulo: Editora 34, 1992.

Deleuze, Gilles; Guattari, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. vol. 3. São Paulo: 34, 2012a.

Deleuze, Gilles; Guattari, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. vol. 4. São Paulo: 34, 2012b.

Família Sisson: Sébastien Auguste Sisson. 2008. Disponível em: https://familiasisson.wordpress.com/biografias/a-historia/. Acesso em: 30 abr. 2019.

Foucault, Michel. A verdade e as formas jurídicas. 3. ed. Rio de Janeiro: Nau, 2003.

Gomes, Ivan Lima. Angelo Agostini e os quadrinhos: algumas questões. Submetido à publicação. [s.d].

Groensteen, Thierry. O sistema dos quadrinhos. Nova Iguaçu: Marsupial, 2015.

Lacan, Jacques. O estádio do espelho como formador da função do eu. In. Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

Moya, Álvaro de. Anos 50, 50 anos: edição comemorativa da primeira exposição internacional de Histórias em Quadrinhos. São Paulo: Opera Graphica, 2001.

Moya, Álvaro de. História das histórias em quadrinhos. Porto Alegre: L&PM, 1986.

Naliato, Samir. Universo HQ: Dia do Quadrinho Nacional ou Dia Nacional dos Quadrinhos?. 2016. Disponível em: http://www.universohq.com/universo-paralelo/dia-do-quadrinho-nacional-ou-dia-nacional-dos-quadrinhos/. Acesso em: 30 abr. 2019.

Nietzsche, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo: Cia. das Letras, 2007.

O Tico-Tico: Jornal das crianças. Rio de Janeiro, 1905-1961. Disponível em: http://hemerotecadigital.bn.br/acervo-digital/tico-tico/153079. Acesso em: 30 abr. 2019.

Pinheiro, João. Burroughs. São Paulo: Veneta, 2015.

Pinheiro, João (João Pinheiro). Comentário sobre resenha sobre HQ Burroughs. São Paulo, 18 abr. 2019. Facebook: joaoppinheiro. Disponível em: https://www.facebook.com/joaoppinheiro/posts/10205358413515589?comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22O%22%7D. Acesso em: 30 abr. 2019.

Rolnik, Suely. Esquizoanálise e antropofagia. In. Alliez, Éric. (Org.). Gilles Deleuze: uma vida filosófica. São Paulo: Editora 34, 2000.

Souza, Worney Almeida de. AQC-ESP: Quem Somos. [s.d.]. Disponível em: http://aqcsp.blogspot.com/p/quem-somos.html. Acesso em: 30 abr. 2019.

Vergueiro, Waldomiro. Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil. São Paulo: Peirópolis, 2017.

Viveiros De Castro, Eduardo. Metafísicas canibais: elementos para uma antropologia pós-estrutural. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

Publicado
2020-05-05
Como Citar
VARGAS, A. De Buster Brown a Burroughs: introdução a uma genealogia irônica dos quadrinhos brasileiros. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 31, p. 9-24, 5 maio 2020.