Resumen
O colonialismo português em África deixou marcas profundas tanto nas sociedades colonizadas quanto nas vidas dos colonizadores. As vozes femininas, a partir de uma perspectiva de entrelugar do retorno e a subalternidade de gênero, desestabilizam as narrativas lineares do colonialismo e apontam para outras formas memorialísticas de constituição subjetiva. Ao recuperar criticamente as contribuições de Benjamin Abdala Junior, Inocência Mata, Margarida Calafate Ribeiro, Silviano Santiago, Edward Said e Helena Buesco, propõe-se analisar as memórias interculturais entrelaçadas em O Alegre Canto da Perdiz (2008), de Paulina Chiziane, e Caderno de Memórias Coloniais (2009), de Isabela Figueiredo.
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