De couro e de plástico: relatos de um outro sertão

  • Analice de Oliveira Martins
Palavras-chave: regionalismo, sertão, Ronaldo Correia de Brito

Resumo

Este artigo pretende demonstrar como a obra do escritor Ronaldo Correia de Brito tem colocado insistentemente em xeque as delicadas fronteiras entre sertão e cidade; localismo e cosmopolitismo; fixidez e mobilidade; tradição e modernidade. Nos contos de “Faca”, “Livro dos homens” e “Retratos imorais” ou no romance Galileia, os discursos sobre o sertão nordestino, ambiente privilegiado da ficção do autor, são tensionados ao limite, apontando quase sempre para temporalidades que ora se antagonizam, ora se superpõem. A análise desses confrontos se baseia, em especial, em questionamentos conceituais apontados por Antonio Candido (1987), Ligia Chiappini (1995) e Durval Muniz de Albuquerque Júnior (2011) acerca das representações do sertão na prosa brasileira.

Referências

Albuqerqe Júnior, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. 5. ed. São Paulo: Cortez. 2011.

Brito, Ronaldo Correia. Retratos imorais. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

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Schøllhammer, Karl Erik. Ficção brasileira contemporânea. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

Publicado
2019-05-10
Como Citar
MARTINS, A. DE O. De couro e de plástico: relatos de um outro sertão. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, n. 29, p. 183–195, 10 maio 2019.
Seção
Artigos