Resumo
Há 50 anos o cineasta José Mojica Marins fez de seu personagem Zé do Caixão um fenômeno cultural através de um dos mais peculiares projetos transmídia criados no Brasil. Surgida em 1962 nas telas de cinema, em poucos anos, sua criação migrou para um popular seriado televisivo exibido na TV Tupi de São Paulo, seguido de um terceiro longa-metragem, sucesso de bilheteria e uma série de revistas em quadrinhos também de grande sucesso. Este artigo pretende refletir sobre os projetos realizados nessas três mídias entre 1968 e 1969 e que possuíam em comum o título "O estranho mundo de Zé do Caixão". Todos com texto assinado pelo roteirista Rubens Francisco Lucchetti, que reinventou a criatura de Marins, ressignificou o gênero terror e fixou a imagem do personagem no imaginário coletivo brasileiro. Com base nos estudos de François Jost e Theodor Adorno e a partir da contextualização histórica e da ênfase do conteúdo da primeira edição da revista em quadrinhos, discute-se como se ficcionou o terror de maneira a dar à obra a sua contemporaneidade e sobrevida como criação artística e produto da cultura de massa.
Referências
Adorno, Teodor. Indústria cultural e sociedade. Seleção de textos Jorge Mattos Brito de Almeida. São Paulo: Paz e Terra, 2002
Barcinski, André. Zé do Caixão: maldito, a biografia. 2. Ed. Rio de janeiro: DarkSide Books, 2015.
Jenkins, Henry. Cultura da convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.
Jost, François. Compreender a televisão. Porto Alegre: Sulina, 2007.
Lucchetti, Rubens F. A revista O estranho mundo de Zé do Caixão. Disponível em: http://www.rflucchetti.com.br/textos/a-revista-o-estranho-mundo-de-ze-do-caix%C3%A3o/. Acesso em: 17 jan. 2018.
Lucchetti, Rubens F. O estranho mundo de Zé do Caixão n.1. São Paulo: Prelúdio, 1969.
Silva, Luciano H. F. da. O terror brasileiro: um olhar sobre uma tradição popular nos quadrinhos. Curitiba: UTFPR/PPGTE, 2013.

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