Eu experimentei, eu vivi, eu estava lá: sentimentos do cárcere em Meu corpo, minha prisão
Veredas 38
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Palavras-chave

autobiografia, autoria trans, memórias de cárcere, resistência, criação literária.

Como Citar

CHAVES, L. A.; BERTOLINO, L. M. de J. Eu experimentei, eu vivi, eu estava lá: sentimentos do cárcere em Meu corpo, minha prisão. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], n. 38, p. 47–63, 2023. DOI: 10.24261/2183-816x0438. Disponível em: https://revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/861. Acesso em: 22 fev. 2024.

Resumo

Neste artigo discute-se a obra Meu corpo, minha prisão: Autobiografia de um transexual, de Lorys Ádreon (1985), a partir do reconhecimento de que se trata de uma escrita de cárcere. Isso porque, embora a autora não tenha tido a experiência do encarceramento físico numa instituição prisional, desde a mais tenra idade reconhece-se prisioneira de uma compulsoriedade identitária que é reforçada pelos mecanismos de censura e perseguição do Estado brasileiro e seus dispositivos de poder, no contexto da ditadura civil-militar, o que lhe impede de viver livremente como se autorreconhece, uma mulher. A escrita-testemunho realiza-se, como se demonstrará, de modo estratégico pela estética intertextual com o romance oitocentista alencariano, uma vez que ao escrever sobre  a sua relação afetiva com o indígena cisheterossexual Oitameno, o faz tanto como comprovação de sua feminilidade,  porque objeto do amor romântico e idílico, como pelo pleito a uma outra nação possível para o Brasil, que se comprova, no contexto de sua publicação, um projeto inviável.

https://doi.org/10.24261/2183-816x0438
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