Resumen
O romance Antes de nascer o mundo (2009), do moçambicano Mia Couto, narra o deslocamento da família do narrador Mwanito, de Maputo para Jesusalém, em plena guerra civil. Em um espaço construído pelo imaginário do patriarca como uma nova nação, Mwanito e Ntunzi constroem um pertencimento (Flusser, 2007) fraturado neste insílio (Can, 2020). Este artigo buscou atestar que, a despeito do regresso geográfico realizado ao final do romance, a memória (Gagnebin, 2006; Pollak, 1989; Sarlo, 2007) atua como fator crucial para relativizarmos a plenitude deste retorno.
Citas
BAUMAN, Zygmunt. Estranhos à nossa porta. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio De Janeiro: Zahar, 2017
CAN, Nazir Ahmed. O campo literário moçambicano: tradução do espaço e formas do insílio. São Paulo: Kapulana, 2020.
COUTO, Mia. Antes de nascer o mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
FLUSSER, Vilém. Habitar a casa na apatridade. In: FLUSSER, Vilém. Bodenlos: uma autobiografia filosófica. Revisão técnica: Gustavo Bernardo. São Paulo: Annablume, 2007. p. 221- 236.
GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Ed. 34, 2006.
POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.
SAID, Edward W. Reflexões sobre o exílio e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
SARLO, Beatriz. Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
ZANUTIM, Lorraine. As doses da literatura pós-colonial moçambicana: um olhar sobre a linguagem, a representação e o trágico em Venenos de deus, remédios do diabo, de Mia Couto. 2016. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Instituto de Letras, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/. Acesso em: 04 nov. 2023.

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