Resumen
O rain-fila é uma crença timorense segundo a qual o tempo age como uma força transformadora e enganadora, capaz de desorientar o viajante e obrigá-lo a vestir a roupa do avesso para reencontrar o caminho de retorno. No romance Crónica de uma Travessia, este conceito funciona como uma metáfora para a memória. Este artigo propõe-se a analisar o tempo narrativo na obra de Luís Cardoso, fundamentando-se nos estudos narratológicos de Carlos Reis. São examinados paratextos e excertos que evidenciam a relação entre o tempo da história e o tempo do discurso. A análise incide sobre fenómenos de ordem, velocidade e frequência, que evidenciam os processos de desconstrução e reconstrução do passado, articulando memória individual e coletiva.
Citas
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